quarta-feira, 12 de março de 2014

Identidades

Aquela garota calada no fundo da sala, difícil de socializar. Aquela garota com o cabelo no rosto tentando se esconder do mundo. Tão diferente, e tão igual a milhares de outras...

  Essa nasceu sem nome, pois os pais queriam um nome verdadeiramente bonito, a chamavam de princesa até a escolha do futuro nome. E então Priscila¹ foi escolhido por lembrar princesa... ela tinha um irmão mais velho que queria muito um irmão- homem- mais novo pra brincar. Felizmente ele não ficou triste e tratou de ensinar tudo que ensinaria ao irmão a tal princesinha.
  Os ensinamentos foram tendo efeito até no velho apelido, que mudou para juninho, tratorzinho. 'Boca mais suja não havia', parafraseando a vovó.
Bonecas, tiranossauros, ferroramas, microscópios, máquinas de bordar, Shurato e uma mãe extremamente paciente que ensinou coisas realmente valorosas sobre tolerância (uma que marcou muito É tão lindo - Balão mágico ) e sobre pesquisar quando tivesse dúvidas: -Deixa de ser preguiçosa e vá olhar no dicionário minina, e olha em duas fontes pra comparar!!
  Daí pegou um gosto por livros, e todas as suas figuras misteriosas.
  Então essa menina chega na escola e se depara com um mundo diferente. Bonecas "verdadeiras e  falsas"; meninas não brincam de carrinho; você é feio; você é gorda. E ela se fecha em seu próprio mundo de fantasia, desenhos, e tudo que era mais divertido que aquele mundo esquisito que ela viu do lado de fora.
  A adolescência chega e a coisa toda piora, dentro de casa ela começa a perceber um tal de machismo só que ela não sabia o que era. Na escola ela era a diferente, a bruxa, a roqueira maluca, a gorda, a feia... o que de fato a irritava era olhar no espelho e não se achar mais ou menos gorda que ninguém, de resto até curtia a "fama". Seu lema era a música do Dragon Ball Z , já que não podia brigar (porque sua mãe lhe pôs um medo terrível de que se tivesse advertências não poderia ir para uma boa escola). Uma coisa ela realmente achava e ainda acha, se acha feia, horrível, monstruosa as vezes; e se irrita ou se sente incomodada quando recebe elogios.
  Foi por aí que ela se fechou dentro de si também fisicamente. Aquela coluna curvada e todo o cabelo na cara. A feiura também era ter um corpo disforme para os 'padrões'... padrões tão falados pelas outras, por isso ela era gorda? E qual era realmente o problema que os outros tinham com a sua feiura? Afinal, porque se incomodavam tanto? E a resposta a esses questionamentos veio da pior forma possível, slut-shaming e generalizações. A raiva e a idéia de que a futilidade partia da mulher, rejeitava tudo que era "feminino" Era diferente, um homem num corpo de mulher. Não tinha amizades femininas por elas serem "muito vazias", "falsas", "desunidas".
  Ela não queria mais ser mulher, era forte, gostava de insetos, coisas "nerds" (que pra ela era atribuído a coisas de homem); ela era homem, porque não cabia em sua consciência que suas ''qualidades'' pudessem existir em uma mulher.
  Aquele mundo lindo em que as pessoas se respeitam em suas diferentes formas, pra ela era só dentro do sonho, e que nunca existiria....

CONTINUA...
_____________________________________________________________________________
¹Priscila é o diminutivo de Prisca. Prisca, derivado do priscus latim, que significa "velho, antigo". Refere-se aos bens materiais e imateriais que não existem mais hoje, foi no passado, de outra época. Era um termo usado poeticamente na era imperial, com dicas de reverência e respeito ao ancestral. Prisco é usado como um conceito que identifica todos os assuntos relacionados com a Idade de Ouro

sábado, 8 de março de 2014

Dia internacional da Luta!



O porquê desse dia...

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como; redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.
A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Os sapatos...
Os sapatos vermelhos são o símbolo da luta contra os estereótipos de gênero.
Os sapatos vermelhos foram usados como protesto, pelas centenas de desaparecidas na Cidad Juárez - México (que tem altos índices de estupro, desaparecimento e morte de mulheres).
Os sapatos vermelhos representam todo o sangue derramado até hoje.
O vermelho, para sempre lembrarmos que é possível lutar!


"A Liberdade do outro estende a minha ao infinito."
Mikhail Bakunin.