Em entrevista ao Jornal Folha de S. Paulo, a Ex – Premiê da Noruega, Gro Harlem Brundtland, afirmou que existe um abuso no conceito de desenvolvimento sustentável e sustentabilidade. Brundtland fala com propriedade, já que foi ela a criadora das expressões, usadas no relatório produzido em 1987, chamado “Nosso Futuro Comum”. O documento serviu de base para a Eco – 92. Ela diz que o desenvolvimento sustentável ainda não foi implementado. E que, mesmo com o sequestro da noção de sustentabilidade por empresas que não têm práticas nada sustentáveis, o termo não deve ser abandonado.
Folha – A sra. não está de saco cheio dessa palavra “sustentabilidade”?
Gro Harlem Brundtland – Para mim a expressão é “desenvolvimento sustentável”. Esse é o conceito. Nos últimos dez anos, mais ou menos, as pessoas começaram a usar “sustentabilidade” como uma forma alternativa de dizer. Eu sempre tive muito cuidado em não usar a palavra “sustentabilidade” sozinha enquanto conceito que cobre a visão para o futuro. Nós precisamos de sustentabilidade em diversas áreas, mas também precisamos de desenvolvimento sustentável. E eu não estou de saco cheio disso, porque não aconteceu ainda.
A sra. não acha que houve muito abuso e mau uso do conceito? Ele parece ter sido sequestrado por empresas para fazer “greenwash” (dar aparência de verde).
+Veja a entrevista na íntegra na Folha de São Paulo
+Matéria vista em O Observador político
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Não é somente o conceito de sustentabilidade que está sendo distorcido, mas toda a cultura do "ecologicamente correto". Vemos isso pela própria forma que o governo se apropria ...
A exemplo das sacolas plásticas de supermercado, que são proibidas, e quanto as sacolas plásticas das embalagens de arroz, feijão, canudos, frutas e outra infinidade de produtos?
No RJ só 1% de toda a matéria reciclável chega as vias de fato... Por que não temos um sistema de coleta seletiva pra todo o estado e aterros sanitários? Afinal, tudo isso gera lucro, matéria reciclada e aterros que depois de tampados poderiam ser utilizados como espaço público... mais áreas pra cidade... menos lixo a céu aberto, menos doenças e mais dignidade aos catadores (que poderiam exercer a profissão sem ser em meio a lixo orgânico), por que não?
Por que seremos a cidade da bicicleta e não a cidade dos transportes alternativos?
Por que mais viadutos e trans cariocas, e o sucateamento do metrô, que é um transporte mais limpo e rápido?
Políticas burras e comerciais baratos pra enrolar o povo, com a palavra da moda. Nos tornamos consumidores comprando a imagem de uma empresa pior que as outras, pois decide o funcionamento da cidade, uma tal que chamamos de governo.
Sacolas proibidas em São Paulo.
ResponderExcluirAcho super válido, porém ridículo é fazer disso um exemplo.
Não é exemplo, é obrigação.
Acredito que isso é o início para tais mudanças, no caso das embalagens, já tem empresas pela sua própria vontade mudando, mas porque não virar também lei?!
Sustentabilidade é a "menina dos olhos" para qualquer empresa pública ou privada. Estão utilizando exatamente como a figura desta postagem. E nós, povo, comprando.