domingo, 29 de setembro de 2013

Normatização da beleza.

Navegando pela internetês feliz e desinibida me deparo com a seguinte frase :

"olheiras marcadas, a nova tendência de beleza"


Li a tal matéria e fiquei me perguntando, é isso mesmo? "Tendência da beleza"? Não vou começar com a minha velha máxima "defina beleza", quero chegar a outro ponto.
Quer dizer então que a "indústria da moda" tenta fazer com que eu me odeie desde muito nova, e uma vez ou outra faz com que alguns "defeitos" meus (que prefiro chamar de genética ou natureza), sejam a "nova tendência da beleza", qual o intuito disso?
Temos alguns exemplos recentes que podem ser usados pra construir uma percepção mais objetiva sobre meu ponto de vista...
A ideia do corpo ideal de mulheres magérrimas.
Lembro-me de uma certa propaganda da gillete e uma polêmica sobre homens com pelos que gerou uma propaganda pra deixar a barba crescer.
Há também e velha briga contra os cachos, que as faz com que as mulheres de cabelos crespos e cacheados levantem a bandeira dos cabelos "livres" do eurocentrismo.

Nos três casos houve um grande movimento -que se destaca visualmente com força- contra o estereótipo estético. Então o que acontece em comum nos três casos? A indústria os engloba e tenta normatizar, criando regras estéticas dentro desses movimentos. Como assim?
A moda plus size, pode ser gorda, mas sem barriga, sem celulite e um monte de outras regras. As imagens vinculadas dessas mulheres "gordinhas", (porque tem um tamanho permitido) em sua maioria são brancas. Sem contar o embranquecimento das negras, vide Preta Gil.
A barba ganhou um espaço tão de repente e agora tem contorno, tamanho e volume certos.
Os cachos ganharam uma circunferência  perfeita e só são permitidos nas pontas, a raiz tem que ser lisa. É necessário alisar e depois passar o baby liss, para torná-los aceitáveis. Para os crespos existe uma infinidade de "relaxamentos" para torná-los todos parecidos e com cachos mais largos também padronizados.

E as olheiras? Sempre foram algo relativamente difícil de esconder, são necessárias camadas e camadas de bases, corretivos e pós. A vida corrida e o desprendimento fizeram muitas mulheres assumirem suas imperfeições e noites mal dormidas.
O que resta à industria da moda? Normatizar isso! Cercear essa liberdade adquirida transformando-a em uma nova tendência, cheia de regras e formas.

A desculpa é relembrar o romantismo (europeu, claro!), "o padrão de beleza da época eram mocinhas com olheiras profundas e vasos sanguíneos aparentes". Só esqueceram que eram olheiras de panda =3, mas agora devem ser apenas uma faixa abaixo dos olhos... que tal, apagar sua olheira com maquiagem e, fazer uma faixa falsa com sombra, ah lindo! Só que não.
E vão se apropriando de nós até que não saibamos o que é nosso e o que nos é imposto. 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

1964 - Amigos da Ditadura

Esses dias a comissão da verdade upou um documento que revela famosos "amigos da ditadura".
Documento 1 / Documento 2

Reprodução do texto em quadro do Doc 1:
   Está havendo uma tentativa progressiva de alguns grupos da imprensa nacional de ressurgirem, no Brasil, a denominada "imprensa marrom".
   No momento, procuram atingir a honra de vários artistas populares, através de noticiário famoso e infamante, alguns incidindo na vida intima e privada dos mesmos.
   Observa-se, no entanto, que a incidência do desgaste recai, seguidamente, sobre determinados artistas que se uniram à Revolução de 1964 no combate à subversão e outros que estão sempre dispostos a uma efetiva cooperação com o Governo.
  Tem sido mais atingidos: JOSÉ FERNANDES, WILSON SIMONAL, ALOINO DINIZ, ROSE MARY, ROBERTO CARLOS, o jogador JAIRZINHO, ERLON CHAVES, AGNALDO THIMÓTEO, CLARA NUNES, JOÃO DIAS, WANDERLEY CARDOSO, o conjunto "BRAZUCA", ANTÔNIO MARCOS, MARCOS LÁZARO e outros.
   Entre os órgãos de imprensa de maior atuação nesse campo podem ser destacados:
   - revista "Intervalo", Editora Abril;
   -revista "Amiga-TV-tudo", Bloch Editores S.A.;
   - jornalecos semanais "O Pasquim" e "Ja", ambos do RIO;
   -coluna social do jornal "Última Hora" do RIO.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O Abcesso do dente carniceiro e eu

Parte técnica:

Os dentes carniceiros dos cães são o 4º pré-molar superior que tem 3 raízes e o 1º molar inferior com duas raízes. Estes dentes chamam-se assim porque têm como função rasgar a carne de que os cães se alimentam.
Os abcessos nos dentes carniceiros ocorrem quando se acumula pus nas suas raízes e são mais comuns nos carniceiros superiores. Este pus forma-se devido à acumulação de bactérias junto da raiz do dente que acontece de várias maneiras:

- Fractura do dente (por roem objetos duros, traumatismos, etc)

- Doença periodontal (má higiene oral)

- Inflamação da raiz

- Bactérias na corrente sanguínea.


Como as raízes do dente carniceiro superior vão até à zona do olho por vezes a acumulação inicial de pus evolui e origina um inchaço na pálpebra inferior do olho do lado afetado. Quando este inchaço é muito grande pode formar-se uma fístula (abertura) por baixo do olho por onde o pus vai drenar.

Fonte: Bichos&Caprichos 


Passei messes andando com meu Icarus achando que ele tinha problema nos olhos. O abcesso é uma doença comum, poucas vezes sendo grave. Mas quase ninguém sabe de onde é. Afinal o bagulho é do dente e sai no olho... vai entender.

A coisa toda só foi resolvida quando deu ruim. Ele arrancou a casquinha da ferida e uma mosca pousou. Corremos com ele pro veterinário e aí que finalmente descobriram o que era. Meu cachorro tem caninos remanescentes (não caiu os de quando era filhote, ou seja, ele tem 8 dentes carniceiros, que acumula mais tártaro).

O problema que contribuiu muito com o todo foi a ração. Ele comia pedigree - carnes e vegetais, que de carnes e vegetais só tem o nome mesmo. O corante afetou o fígado dele, causando inchaço e consequentemente algumas bactérias na corrente sanguínea.


Icarus, se recuperando.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Canção do invisível

A primeira vez que me deparei com uma pessoa de rua eu tinha 6 anos. Até então minha vida tinha sido dentro do meu mundo isolado; meus brinquedos, música e uma velha e enorme estante de livros.
Pela janela do ônibus que estava com a minha mãe eu o vi. Lembrava meu avô, só que muito magro e segurava uma bolsa que parecia ser de soro.
Sentado no chão enquanto as pessoas passavam como se nada estivesse acontecendo. Tão perto e tão longe como se duas dimensões separassem essas pessoas. Dimensão essa que se chama individualismo, que me foi apresentado sem máscaras.
Por dias pensei nessa imagem, relutando em contar a alguém. Apenas abracei meu avô.
O tempo passou e o meus sonhos foram se afastando desse dia. O preconceito e a intolerância me foram apresentados de forma gratuita, e me fizeram perder o interesse pelas pessoas. O tal espaço temporal do individualismo tinha me pego na traição.

Sair da caverna não é um processo fácil, mas tem um potão de ouro na saída. Esse por sua vez é um belo sorriso, uma conversa interessante, até desconexa. Uma visão do mundo, um olhar de quem não é olhado. O processo é longo, muitas vezes doloroso, mas nunca será inútil. E passo-a-passo, vamos saindo do escuro. Uma caverna por vez, sem pressa. O importante é sempre caminhar para o lado de fora.