A primeira vez que me deparei com uma pessoa de rua eu tinha 6 anos. Até então minha vida tinha sido dentro do meu mundo isolado; meus brinquedos, música e uma velha e enorme estante de livros.
Pela janela do ônibus que estava com a minha mãe eu o vi. Lembrava meu avô, só que muito magro e segurava uma bolsa que parecia ser de soro.
Sentado no chão enquanto as pessoas passavam como se nada estivesse acontecendo. Tão perto e tão longe como se duas dimensões separassem essas pessoas. Dimensão essa que se chama individualismo, que me foi apresentado sem máscaras.
Por dias pensei nessa imagem, relutando em contar a alguém. Apenas abracei meu avô.
O tempo passou e o meus sonhos foram se afastando desse dia. O preconceito e a intolerância me foram apresentados de forma gratuita, e me fizeram perder o interesse pelas pessoas. O tal espaço temporal do individualismo tinha me pego na traição.
Sair da caverna não é um processo fácil, mas tem um potão de ouro na saída. Esse por sua vez é um belo sorriso, uma conversa interessante, até desconexa. Uma visão do mundo, um olhar de quem não é olhado. O processo é longo, muitas vezes doloroso, mas nunca será inútil. E passo-a-passo, vamos saindo do escuro. Uma caverna por vez, sem pressa. O importante é sempre caminhar para o lado de fora.
Nenhum comentário:
Postar um comentário