sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Antes que acabe.

Hoje fui ver duas das exposições mais interessantes dos últimos meses no museu que eu menos esperava, o MAR- Museu de Arte do Rio. Hahaha É, as vezes eu quebro a cara assim e confesso que curto muito.

DO VALONGO À FAVELA: IMAGINÁRIO E PERIFERIA
A primeira e mais impactante foi "Do Valongo à Favela: imaginário e periferia". Que retrata desde o processo de formação, até a primeira gentrificação. O bom é que o contexto é bem pertinho e o museu dos Pretos Novos é seguindo a rua. Então, vamos ao contexto da exposição:

"A parte do Rio de Janeiro que corresponde hoje aos bairros da Saúde e da Gamboa pode ser considerada a primeira periferia do Brasil. Ao longo do tempo foi sendo transferida para a região uma série de atribuições indesejáveis para a porção da cidade considerada mais nobre. Com o aumento das atividades portuárias, o carregamento de mercadorias passou do antigo cais próximo ao Largo do Paço (atual Praça XV) para a Prainha (hoje Praça Mauá). Não somente ouro e diamantes escoados de Minas Gerais, como também a carga humana trazida da África, faziam parte desse tráfico de coisas e de gente. Já no século XVIII, o mercado de escravos se estabeleceu próximo dali, na Rua do Valongo, seguido de perto pelo Cemitério dos Pretos Novos. Os chamados “usos sujos” se multiplicavam*. A prisão do Aljube foi instalada em 1733, perto do trecho onde hoje se entroncam as ruas do Acre e Leandro Martins, enquanto o Hospital da Saúde – para doenças contagiosas – tinha sua localização entre a Rua da Gamboa e o Saco do Alferes, próximo ao Cemitério dos Ingleses. Volta e meia, a Forca Pública era armada na Prainha e os condenados levados à Igreja de Santa Rita para receber as últimas consolações." continuação+
HÁ ESCOLAS QUE SÃO GAIOLAS E HÁ ESCOLAS QUE SÃO ASAS
Depois do peso de uma realidade crua, a doçura e esperança invadem com essa exposição que dá asas pra sonhar com uma educação inclusiva e ver que ela existe.

"Como a arte se envolve com a educação? Em suas origens, o acesso aos museus e à escola era reservado aos estratos sociais dominantes e circunscrito à formação e ao lazer das elites. No Brasil, apenas no pós-guerra os museus ampliaram sua abertura para a sociedade e a consciência de seus deveres de acessibilidade e universalidade. A arte incide sobre a agenda política dos museus, marcada por um déficit de direitos sociais não atendidos, enquanto a sociedade se apresenta cada vez mais complexa.


Esta é a segunda mostra da série Arte e Sociedade no Brasil, que lança hipóteses sobre os desafios enfrentados pela educação, pela arte e pelo museu. Os artistas que integram a exposição propõem modelos para pensar o potencial da educação. Homenageia-se a artista Anna Bella Geiger, que há décadas discute dispositivos como cartilhas, atlas e métodos de leitura a partir das relações transculturais. Ela própria foi aluna do educador Anísio Teixeira.
Obras de arte, documentos e projetos educacionais debatem os sentidos da educação e do lugar dito escola. O pacto crítico da produção artística com a educação está aqui concentrado em quatro núcleos: (1) teoria, com foco em Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo Freire; (2) processos, que documenta experiências da prática educacional; (3) dispositivos, que discute as dimensões de poder das estruturas educacionais; e (4) linguagem, que explora a relação entre fazer artístico, fala e escrita como campo de reconhecimento das diferenças."
                                                                       Janaina Melo e Paulo Herkenhoff, curadores

As exposições ficam respectivamente até: 1/2/2015 e 11/1/2015
O endereço do Museu é :
Museu de Arte do Rio  - Praça Mauá, 5, Centro
CEP 20081-240
Rio de Janeiro/RJ
(21) 3031 2741

As terças-feiras a entrada é franca. Nos outros dias R$ 4,00 a meia.

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