sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Antes que acabe.

Hoje fui ver duas das exposições mais interessantes dos últimos meses no museu que eu menos esperava, o MAR- Museu de Arte do Rio. Hahaha É, as vezes eu quebro a cara assim e confesso que curto muito.

DO VALONGO À FAVELA: IMAGINÁRIO E PERIFERIA
A primeira e mais impactante foi "Do Valongo à Favela: imaginário e periferia". Que retrata desde o processo de formação, até a primeira gentrificação. O bom é que o contexto é bem pertinho e o museu dos Pretos Novos é seguindo a rua. Então, vamos ao contexto da exposição:

"A parte do Rio de Janeiro que corresponde hoje aos bairros da Saúde e da Gamboa pode ser considerada a primeira periferia do Brasil. Ao longo do tempo foi sendo transferida para a região uma série de atribuições indesejáveis para a porção da cidade considerada mais nobre. Com o aumento das atividades portuárias, o carregamento de mercadorias passou do antigo cais próximo ao Largo do Paço (atual Praça XV) para a Prainha (hoje Praça Mauá). Não somente ouro e diamantes escoados de Minas Gerais, como também a carga humana trazida da África, faziam parte desse tráfico de coisas e de gente. Já no século XVIII, o mercado de escravos se estabeleceu próximo dali, na Rua do Valongo, seguido de perto pelo Cemitério dos Pretos Novos. Os chamados “usos sujos” se multiplicavam*. A prisão do Aljube foi instalada em 1733, perto do trecho onde hoje se entroncam as ruas do Acre e Leandro Martins, enquanto o Hospital da Saúde – para doenças contagiosas – tinha sua localização entre a Rua da Gamboa e o Saco do Alferes, próximo ao Cemitério dos Ingleses. Volta e meia, a Forca Pública era armada na Prainha e os condenados levados à Igreja de Santa Rita para receber as últimas consolações." continuação+
HÁ ESCOLAS QUE SÃO GAIOLAS E HÁ ESCOLAS QUE SÃO ASAS
Depois do peso de uma realidade crua, a doçura e esperança invadem com essa exposição que dá asas pra sonhar com uma educação inclusiva e ver que ela existe.

"Como a arte se envolve com a educação? Em suas origens, o acesso aos museus e à escola era reservado aos estratos sociais dominantes e circunscrito à formação e ao lazer das elites. No Brasil, apenas no pós-guerra os museus ampliaram sua abertura para a sociedade e a consciência de seus deveres de acessibilidade e universalidade. A arte incide sobre a agenda política dos museus, marcada por um déficit de direitos sociais não atendidos, enquanto a sociedade se apresenta cada vez mais complexa.


Esta é a segunda mostra da série Arte e Sociedade no Brasil, que lança hipóteses sobre os desafios enfrentados pela educação, pela arte e pelo museu. Os artistas que integram a exposição propõem modelos para pensar o potencial da educação. Homenageia-se a artista Anna Bella Geiger, que há décadas discute dispositivos como cartilhas, atlas e métodos de leitura a partir das relações transculturais. Ela própria foi aluna do educador Anísio Teixeira.
Obras de arte, documentos e projetos educacionais debatem os sentidos da educação e do lugar dito escola. O pacto crítico da produção artística com a educação está aqui concentrado em quatro núcleos: (1) teoria, com foco em Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo Freire; (2) processos, que documenta experiências da prática educacional; (3) dispositivos, que discute as dimensões de poder das estruturas educacionais; e (4) linguagem, que explora a relação entre fazer artístico, fala e escrita como campo de reconhecimento das diferenças."
                                                                       Janaina Melo e Paulo Herkenhoff, curadores

As exposições ficam respectivamente até: 1/2/2015 e 11/1/2015
O endereço do Museu é :
Museu de Arte do Rio  - Praça Mauá, 5, Centro
CEP 20081-240
Rio de Janeiro/RJ
(21) 3031 2741

As terças-feiras a entrada é franca. Nos outros dias R$ 4,00 a meia.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Meus heróis não viraram estátua

Quando era pequena ficava irritada de ouvir que tinha o privilégio de ser branca, não entendia o porquê. Então ouvi coisas sobre meu cabelo ser quase bom, ou sobre minha mãe ser minha babá. Briguei por causa dessas coisas.
Meu sangue negro por parte de mãe, tem história triste, dolorida, que deve ser contada:

Meu avô de família tradicional portuguesa era mestiço filho de filho de senhor de escravos e uma filha de ex-escravos . Criados na mesma casa estes se apaixonaram jovens e ela engravidou. Levaram-na pra fazenda deixando o bebê para que meu bisavô se casasse com uma branca. Ameaçaram deserdá-lo, caso não se casasse. O mais estranho é que quando mais velho rejeitou o dinheiro e viveu "humildemente" num casarão no Catete. Sempre dizendo aos netos que herança só traz problemas.

Minha avó foi VÍTIMA do programa de branqueamento da população (sim isso existiu). Um português casou-se com minha bisavó negra, tiveram 4 filhos a mais velha era minha avó. Esse ganhou um pedaço de terra por casar com ela e plantava cevada. Quando finalmente se viu como dono do monopólio de cevada de uma certa cervejaria trouxe sua esposa portuguesa e a abandonou com os filhos. Esta por sua vez se suicidou, deixando minha avó com apenas 9 anos cuidando dos mais novos. Desde então minha avó lavava roupa e limpava casas até os 16 anos quando conheceu meu avô (história acima) e se casou. Meu avô procurou o pai dela para pedir sua mão em casamento e ouviu a seguinte resposta: "Quanto tu queres?" Meu avô prontamente mandou ele enfiar o dinheiro no cu ouvido.
Eles viviam bem, pois meu avô era protético, porém ele contraiu tuberculose e morreu quando minha mãe tinha 3 anos. Minha avó relutou em deixar os filhos com meu bisavô (pai do meu avô) porém não tinha como sustentá-los sozinha (eram 8).

Minha mãe que diferente da minha avó pode estudar, conheceu meu pai quando ambos trabalhavam em uma multinacional. Meu pai, de família Ítalo-portuguesa, que ouviu de parentes: "Que cor vão nascer os filhos com essa mulatinha?"

Essa mulatinha... minha mãe, que me conteve pra não arrebentar uma mulher que a viu, fez cara de nojo e segurou a bolsa.  A mesma que lutou na ditadura, que me ensinou a pensar, que é minha heroína. Que criou meu irmão, que foi barrado na escada do prédio da minha tia-avó: "Porque, sei lá né branca dos olhos azuis, não podia imaginar que ela tinha um neto queimadinho."

Hoje, entendo que nunca passei por nada disso por ter a pele branca, que olham assustados e sem graça quando vêem a minha mãe. E que ela sabe disso, percebe, se entristece.

Vejo essas coisas e tantas outras que não dá pra contar, desde as tribos de onde vieram meus antepassados escravizados até coisas do cotidiano. E que a herança de ódio persiste em cada relativização da dor alheia, em cada silenciamento.

"Hoje (ontem) estava almoçando na hora em que passava o RJTV quando iniciou uma notícia sobre o feriado e então parei para escutar - não esperava que anunciassem eventos de luta, mas pensei nos culturais - então veio a notícia: Véspera de feriadão e já tem transito para sair do Rio de Janeiro... Fim"



"Meus heróis não viraram estátua, morreram lutando contra quem virou." -Uma história de Amor e Fúria.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Vegetariano come o que?

Já que sempre me fazem essa pergunta, peguei algumas fotos do meu celular pra ilustrar.XD


Geleia de Morango





Brownie sem ovo

Bolo Vegan

Yakissoba de legumes



Tofucake

Também aceito docinhos...






sábado, 24 de maio de 2014

A arte de nunca terminar.

         Em toda a minha vida nunca consegui finalizar um desenho. Sempre enjôo de desenhar no máximo uma hora depois de tê-lo começado e nunca mais pego. Minha vida sempre foi marcada por croquis, rascunhos e desenhos pela metade. Me senti frustrada por isso durante anos, até perceber o óbvio... como a natureza tudo é mutável, de modo que um desenho finalizado nada é possível se fazer quanto a seus erros e sua falta de técnica. Quantas pessoas tem vergonha de mostrar seus desenhos antigos?  - Não repara, pois nessa época não sabia fazer isso ou aquilo. E num desenho gestante? Ele sempre pode mudar, e as novas técnicas serem incorporadas por cima das velhas. O contorno mais arredondado, uma nova inspiração pra isso ou aquilo. Novas cores de lápis que compramos ou pegamos emprestado... comecei a  reeditar os antigos desenhos, e descobri que tem sempre um pensamento em movimento na arte de nunca terminar.


Brownie Vegano

Então minha primeira receita ó... deu certo... hahahaha




2 xícaras de farinha de trigo + 1 1/2 colheres de amido de milho
1 xícara de chocolate em pó.
1 xícara de açúcar. (se quiser mais doce, põe mais meia)
1/2 xícara de óleo
1 1/2 xícara de água.
1 colher de café de fermento químico pra bolo
100g de chocolate meio-amargo
Nozes picadas
Chocolate picado.

Peneira o açúcar e o chocolate... mistura todos os secos (exceto o fermento) depois o óleo e a água. derrete o chocolate e mistura... põe o fermento e por último as nozes e o chocolate picado (untar a forma com margarina sem sal ou óleo vegetal + farinha de trigo). Põe no forno pré aquecido a 180º por 30 min.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Te engoli e me engasguei com esses espinhos pontiagudos que carrega no interior do teu músculo cardíaco que tu insiste em chamar de coração. Talvez tu nem sejas humano. O sangue se solidificou e já não corre em tuas veias. És frio como um gelo e insensível como eu. A única coisa compatível entre nós dois é essa insensibilidade que ambos carregam dentro de si. Queria sentir mais, mas você me transformou nisso aqui. Te engoli, e você acabou me matando com esse teu gosto ácido de veneno impregnado na pele.
                                                                              -Autor Desconhecido

domingo, 18 de maio de 2014

Inspirações

"Em seus infinitos sentidos a sabedoria espalha-se sob a égide da loucura."

Esses momentos de devaneio que me pegam desprevenida... passando de ônibus pela praça Tiradentes vi em seu centro as esculturas. Quando me veio a cabeça Bernini e sua "O Rapto de Proserpina¹ " -óbra magnífica em cada detalhe. Aí comecei a desenhar nessa súbita vontade de perfeição que nunca me acometeu antes. Né que deu certo?



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1- História Romana análoga a de Persephone- Grega

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Oportunistas

Eu estava aqui pensando que moro de aluguel e por razões pessoalíssimas jamais poderia voltar pra casa dos meus pais. Se algo acontecesse que não pudesse mais pagar o aluguel eu moraria em uma ocupação ou na rua. E isso aconteceria com uma grande parcela da população 'classe média sofre' - como eu- que só tem uma vida mediana porque recebe um salário. E este só dá pra manter esta vida e não pra fazer reservas como poupança ou aplicações. É muito fácil julgar quem ta fodido, mas, uma crise grande como uma bolha imobiliária estourada ou a crise pós copa/olimpíada pode gerar um grande percentual de 'classe média-baixa linguarudos' na merda, pois uma grande parte mora de aluguel - e muitos destes nem tem lá grandes capacidades intelectuais ou diplomas foderosos pra se manterem empregados em uma crise.
"32 milhões de brasileiros vivem de aluguel, sendo que quase 30 milhões estão na área urbana." (Fonte: R7)
Sem contar quem ainda está pagando a casa própria ou tem hipoteca, né?

Então alguém de uma ONG me diz que pessoas estão passando fome, frio, sede, na chuva, sofrendo com a violência policial, estão lá porque querem, que são todos oportunistas.  Pera lá, oportunista tem em todo lugar, e posso dizer com certeza que existem mais destes como acionistas de banco do que tomando chuva e sofrendo humilhação em frente a prefeitura. Aliás eu penso que se alguém tem casa, JAMAIS vai passar o que eles estão passando, a situação é realmente de chorar.

Deixando isso, vamos aos fatos:
Segundo um professor de direito da PUC , quando privatizaram as teles venderam os ativos imobiliários também. Então é propriedade privada de uma empresa que detêm uma concessão. Mas isso não muda nada pois a propriedade é garantida pela Constituição desde que cumpra seu fim social.
Então vejamos, toda propriedade urbana precisa cumprir um fim social, caso contrário, é especulação imobiliária. O espaço deveria ser multado e posteriormente desapropriado pelo governo após cinco anos sem uso. O espaço da ocupação estava ocioso há quinze anos. Hummm

Pelo facebook estão rolando relatos com fotos e documentos das pessoas que estão acampadas em frente prefeitura, segue alguns.
"[...]João Batista Rosa, 47, é atualmente morador de rua e vendedor ambulante, mas nem sempre foi assim. Seu João era morador do Morro do Livramento, onde residia com sua esposa (que, agora, mora com parentes), antes de ter sua casa demolida pela Prefeitura do Rio, SEM QUALQUER NECESSIDADE. A Prefeitura do Rio, através da Secretaria Municipal de (des)Habitação e da Subsecretaria de Reassentamento e Ações Emergenciais, fez um acordo com o seu João, antes de demolir a casa dele, aonde ele teria o direito de receber um apartamento de número 103, em um conjunto de apartamentos que foi construído em Cosmos, no subúrbio da cidade.
Ser removido forçadamente de onde se mora já é ruim, mas ficar sem onde se morar ainda é pior. Seu João, meses depois do acordo e na eminência de ter sua casa, ainda no Morro do Livramento demolida, foi pedir explicações no prédio da Prefeitura. Ao questionar sobre seu apartamento, disseram pra ele que seu novo lar já estava sendo ocupado por outra família e não havia cadastro dele em nenhum programa habitacional da prefeitura. Ele, já desesperado, não aceitava sair da sede da Prefeitura sem ter seu prometido apartamento e, com isso, como tudo na cidade é feito da forma mais eficiente possível, foi retirado do prédio por guardas municipais. Sem casa, sem família e sem dinheiro.[...] (fonte com fotos: João Paulo Pereira)"

"- Onde você mora?- Não tenho casa, senhora.
- Quanto a senhora paga de aluguel?
- Não tenho casa, senhora.
- Quantas pessoas moram na sua casa?
- Senhora, eu já disse que eu não tenho casa.
Após o cadastro:
- A senhora já pode voltar para casa, e nós entraremos em contato.
- Senhora, qual parte do 'eu não tenho casa' você não entendeu? E como a senhora vai entrar em contato comigo se não pegou meu telefone?"  (Fonte: Chicoalencar)


Não vi ninguém gritar por aí que era oportunismo da Oi a reapropriação (se é que isso existe, pois teoricamente já perderam o prédio) , e olha que é só passar no PROCON e coletar uns dados para saber o quão sacanas eles são ein!  Mais fácil odiar o pobre, que não tem ninguém por ele. Só que ficar do lado do mais forte sendo fraco é burrice, ou acham que terão benefícios ficando do lado deles? Mas essa última seria oportunismo barato! Huahauha



terça-feira, 1 de abril de 2014

#Não Mereço #Ninguém Merece

A recente pesquisa do IPEA revelou um numero alarmante de pessoas que culpam vitimas de estupro. Até aí, nada que infelizmente eu já não esperasse...
Me mantive quieta até ver na minha timeline um post comparando estupro a roubo... ou seja, mulher é um bem de consumo... Legal, legal... Male tears pra tudo que é lado.
Cansada de dizer que estupro é relação de poder e que essa relação é evidenciada na criação desde quando meninas tem de ser princesas e meninos precisam ser guerreiros. A fragilidade e a dependência são vistas como beleza, como coisa de menina educada.
Se a menina começa a lutar então... vixe, quantas vezes ouvi que estava parecendo um homem, ou então o quanto anti estético era estar com uma garota que tinha braços maiores que os dele. Porque saber se defender incomoda tanto? Simples, você está quebrando a relação de poder, deixando de ser o pau-mandado, passa a ser capaz de se defender ou até uma coisa mais simples, ter uma reação rápida, que te livra de situações que poderiam ter um desfecho ruim.
A violência só é justificável quando vem do homem, porque ela é supostamente instintiva, ora, não somos da mesma espécie?
Dia desses eu estava indo ao Saara - o centro do rio está todo cercado por tapumes, e em vários pontos a Presidente Vargas se encontra bem inóspita - entre uma esquina e outra de uma dessas ruas vazias e cheias de tapumes dois homens emparelham comigo, e um deles solta o chorume: "gostosa, te virava do avesso!" Na minha reação de sempre (parei de me encolher a um tempo), mostro o dedo. E então obtenho a seguinte resposta: " Vou te mostrar o que vou fazer com esse dedo, vadia!" Diante de uma situação dessas uma demonstração de medo pode ser fatal...  E esse é o esperado... a falta de reação, a humilhação, o medo, e o medo muitas vezes paralisa.
A lógica do empoderamento é exatamente o poder de reação. Desde um pedido de socorro que seja acudido por outras talvez mais aptas a lidar com a situação (isso se estende a casos familiares), até a própria maneira de lidar com o abuso. A união tem um grande peso, pois omissão causa vítimas.  Esse textonão é um manual de como não ser vitima,  tão pouco um modo de evitar que algo aconteça, POIS ISTO NÃO EXISTE.
Ah é... o que aconteceu depois do Vadia... Eu puxei minha faca e falei: "Mostra!" E eles ficaram horrorizados pela MINHA violência.
                     Depois disso quase fui a leiteria Korova pedir meu leite-com. sqn

Não confunda a reação do oprimido com a violência do opressor.” 
                                                                                    -Malcom X

quarta-feira, 12 de março de 2014

Identidades

Aquela garota calada no fundo da sala, difícil de socializar. Aquela garota com o cabelo no rosto tentando se esconder do mundo. Tão diferente, e tão igual a milhares de outras...

  Essa nasceu sem nome, pois os pais queriam um nome verdadeiramente bonito, a chamavam de princesa até a escolha do futuro nome. E então Priscila¹ foi escolhido por lembrar princesa... ela tinha um irmão mais velho que queria muito um irmão- homem- mais novo pra brincar. Felizmente ele não ficou triste e tratou de ensinar tudo que ensinaria ao irmão a tal princesinha.
  Os ensinamentos foram tendo efeito até no velho apelido, que mudou para juninho, tratorzinho. 'Boca mais suja não havia', parafraseando a vovó.
Bonecas, tiranossauros, ferroramas, microscópios, máquinas de bordar, Shurato e uma mãe extremamente paciente que ensinou coisas realmente valorosas sobre tolerância (uma que marcou muito É tão lindo - Balão mágico ) e sobre pesquisar quando tivesse dúvidas: -Deixa de ser preguiçosa e vá olhar no dicionário minina, e olha em duas fontes pra comparar!!
  Daí pegou um gosto por livros, e todas as suas figuras misteriosas.
  Então essa menina chega na escola e se depara com um mundo diferente. Bonecas "verdadeiras e  falsas"; meninas não brincam de carrinho; você é feio; você é gorda. E ela se fecha em seu próprio mundo de fantasia, desenhos, e tudo que era mais divertido que aquele mundo esquisito que ela viu do lado de fora.
  A adolescência chega e a coisa toda piora, dentro de casa ela começa a perceber um tal de machismo só que ela não sabia o que era. Na escola ela era a diferente, a bruxa, a roqueira maluca, a gorda, a feia... o que de fato a irritava era olhar no espelho e não se achar mais ou menos gorda que ninguém, de resto até curtia a "fama". Seu lema era a música do Dragon Ball Z , já que não podia brigar (porque sua mãe lhe pôs um medo terrível de que se tivesse advertências não poderia ir para uma boa escola). Uma coisa ela realmente achava e ainda acha, se acha feia, horrível, monstruosa as vezes; e se irrita ou se sente incomodada quando recebe elogios.
  Foi por aí que ela se fechou dentro de si também fisicamente. Aquela coluna curvada e todo o cabelo na cara. A feiura também era ter um corpo disforme para os 'padrões'... padrões tão falados pelas outras, por isso ela era gorda? E qual era realmente o problema que os outros tinham com a sua feiura? Afinal, porque se incomodavam tanto? E a resposta a esses questionamentos veio da pior forma possível, slut-shaming e generalizações. A raiva e a idéia de que a futilidade partia da mulher, rejeitava tudo que era "feminino" Era diferente, um homem num corpo de mulher. Não tinha amizades femininas por elas serem "muito vazias", "falsas", "desunidas".
  Ela não queria mais ser mulher, era forte, gostava de insetos, coisas "nerds" (que pra ela era atribuído a coisas de homem); ela era homem, porque não cabia em sua consciência que suas ''qualidades'' pudessem existir em uma mulher.
  Aquele mundo lindo em que as pessoas se respeitam em suas diferentes formas, pra ela era só dentro do sonho, e que nunca existiria....

CONTINUA...
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¹Priscila é o diminutivo de Prisca. Prisca, derivado do priscus latim, que significa "velho, antigo". Refere-se aos bens materiais e imateriais que não existem mais hoje, foi no passado, de outra época. Era um termo usado poeticamente na era imperial, com dicas de reverência e respeito ao ancestral. Prisco é usado como um conceito que identifica todos os assuntos relacionados com a Idade de Ouro

sábado, 8 de março de 2014

Dia internacional da Luta!



O porquê desse dia...

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como; redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.
A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Os sapatos...
Os sapatos vermelhos são o símbolo da luta contra os estereótipos de gênero.
Os sapatos vermelhos foram usados como protesto, pelas centenas de desaparecidas na Cidad Juárez - México (que tem altos índices de estupro, desaparecimento e morte de mulheres).
Os sapatos vermelhos representam todo o sangue derramado até hoje.
O vermelho, para sempre lembrarmos que é possível lutar!


"A Liberdade do outro estende a minha ao infinito."
Mikhail Bakunin.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Essa coisa de fazer comida - Leite condensado.

Morar sozinha e fazer comida é uma coisa colossalmente difícil. Então decidi só fazer comidas divertidas, e geralmente no final de semana, aí fica tudo lindo e congelado pra semana.
Aqui tenho um ótimo modo de guardar minhas receitas sem amontoar um monte de papéis na cozinha, coisa que já está acontecendo. Vou passando devagar e sempre.

Uma coisa que anda pela hora da morte é o leite condensado. Muito caro, muito caro...
Aí eu aprendi a fazer isso em casa, deu certo em todas as receitas que testei até hoje.

LEITE CONDENSADO.
  • 1 copo de leite em pó de soja.
  • 1/2 copo (o mesmo copo) de água morninha.
  • 10 colheres (de sopa) de açúcar.
Agora vem a parte complexa...
joga tudo no liquidificador e bate por 7 min. Coloca em um pote (sem tampar, só tampa depois das 4 horas) e deixa gelar por 4 horas. A quantidade é a mesma de uma lata industrializada.
Um pote de leite dá pra umas 5 "latas". E dá pra fazer com leite comum também.




domingo, 23 de fevereiro de 2014

O Marketing, o rolezinho e um vídeo realmente bom

Enquanto assisto vídeos é costume passar uns tantos pensamentos pela cabeça. Dessa vez um deles me pareceu bem estranho. Ao relacionar as crianças pobres criadas pelas propagandas com os jovens dos"rolezinhos",houve um nó que não pode ser desfeito na minha cabeça. Toda a promessa de inserção social pelas marcas não foi cumprida pelo tal marketing.E agora? Acho que essa lacuna pode acabar sendo preenchida por novas ideologias, como no ano 1000 que todos esperavam que o mundo acabasse e ploft, nada aconteceu, partir daí houve uma série de mudanças. Obviamente essas mudanças não foram de uma hora pra outra. E seus desdobramentos só puderam ser observados séculos depois. Mas será que é possível?
Maioneses a parte, fica um vídeo muito bom pra essas e outras reflexões muito mais profundas que as minhas. =)


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Outra vez

Como quase ninguém sabe...e vão continuar não sabendo, nem conto XD...

E então mais uma fase de arquivos digitais para serem esquecidos, e um blog empoeirado com mais de 145 caracteres.
E uma leve retrospectiva de coisas não postadas, pra começar.

Umas restaurações de móveis bobinhas...